Termonebulização no controle de formigas cortadeiras

Houve um tempo em que se dizia: “Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil”. Este ditado ficou fora de moda por algum tempo, quando surgiram produtos e métodos de controle eficientes no controle das formigas cortadeiras. Infelizmente estes eficientes eficientes produtos referiam-se aos organoclorados, como o Aldrin, Heptacloro e Dodecacloro, produtos de longa persistência no ambiente e de elevada toxicologia. Após a proibição do uso destes produtos na agricultura, surgiram produtos alternativos para o controle das saúvas, porém os níveis de controle observados já não eram os mesmos obtidos com os clorados. O problema das formigas cortadeiras n agricultura foi retomando força, e o velho ditado parecia estar mais atualizado do que nunca.

Hoje, práticas antigas no controle das saúvas, como a termonebulização, ganharam inovações tecnológicas; novas moléculas foram incorporadas às iscas formicidas. A sensação que se tem, é que o problema volta a se posicionar na faixa de controle.

A guerra contra as saúvas

O combate às saúvas pode ser comparado a uma guerra, onde quase todas as propriedades agrícolas são palco de uma batalha contra esse inimigo. Numa guerra, como se sabe, para se enfrentar o inimigo, é importante conhecer tudo ou o máximo possível sobre ele; saber que armas utilizar e de que forma.
O conhecimento sobre o inimigo vem dos estudos sobre a biologia deste complexo inseto. Os avanços nos conhecimentos do comportamento e da biologia das saúvas é fruto da dedicação intensa de diversas empresas, pesquisadores e instituições de pesquisa que a cada dia desvendam novas descobertas. As armas para esta guerra podem ser relacionados aos diversos produtos formulados ou às moléculas sintetizadas com ação inseticida. Finalmente, como utilizar estas armas, refere-se ao método de controle utilizado: termonebulização, uso de isca, gases tóxicos, pós secos ou caldas líquidas, sendo que cada um destes métodos envolve diferentes estratégias e cuidados.
Todos os métodos de controle apresentavam vantagens e desvantagens, maior ou menor relação custo/benefício, maior ou menor risco ao aplicador e ao ambiente. A opção do agricultor por qualquer método, ou mesmo por mais de um método, deve considerar todos estes fatores e avaliar particularmente qual melhor estratégia atende suas necessidades.

Termonebulização

A termonebulização, como método de controle de formigas, se caracteriza pela introdução no formigueiro de uma nebuligem (névoa) ou fumaça proveniente do aquecimento de uma calda inseticida constituída, normalmente, por óleo diesel ou óleo mineral misturado a um inseticida. O aparelho que possibilita esta operação é o termonebulizador.
A termonebulização é uma técnica de controle altamente eficiente, pois paralisando rapidamente a atividade forrageira do formigueiro, cessando portanto, os prejuízos no campo. Mas, para que a operação tenha sucesso, uma série de cuidados devem ser observados.
O primeiro cuidado é o de atingir a zona viva do formigueiro ou sede real, onde se encontram a rainha, as colônias de fungo (alimento das formigas) e as panelas de desenvolvimento das formas jovens (ovos, larvas e pupas). Esta zona normalmente é atingida pela termonebulização se a lança do aparelho for colocada num olheiro de entrada das folhas cortadas pelas formigas, os chamados olheiros de alimentação. Este olheiro é facilmente identificado pelo rastro limpo que as formigas deixam ao longo do seu trajeto. Este rastro ou trilha pode ter comprimento de 1 a 70 m e uma largura de 5 a 20 cm, dependendo da espécie de formiga e da intensidade de atividade em que se encontra o formigueiro.
A identificação da espécie também auxilia no direcionamento da termonebulização para a zona viva do formigueiro. A saúva-parda (Atta capiguara), que ataca preferencialmente gramíneas como a cana-de-açúcar e as pastagens, possui uma particularidade que a distingue das demais espécies de formigas cortadeiras. O murundum ou monte de terra solta de seu formigueiro é mais disperso em vários montículos; e estes ficam deslocados em relação à zona viva que está no subsolo. Sendo assim, a introdução da lança do termonebulizador nestes montículos pode resultar em eficiência de controle menor do que se fosse direcionado para a região certa. As demais espécies de formigas cortadeiras-saúva-cabeça-de-vidro (Atta laevigata), saúva-limão (Atta sexdens) e quenquéns (Acromyrmex sp), estas últimas de menor porte – normalmente possuem a zona viva de seus formigueiros logo abaixo ou ligeiramente deslocada, em relação aos montes de terra solta, sendo maior, portanto, a probabilidade de se acertar a zona viva dos formigueiros destas espécies.
Outro cuidado a ser tomado na termonebulização é em relação ao tempo necessário que deve durar a operação em cada formigueiro para obtenção do controle. Uma vez iniciada a injeção de fumaça no olheiro de alimentação, outros olheiros permitem sua saída, devendo-se tapa-los tão logo mostrem a emissão de fumaça densa. À medida que os olheiros são tapados, deve-se observar se ficou algum por onde não houve emissão, o que caracteriza que uma rede de canais não foi atingida, devendo-se, portanto, injetar a fumaça densa. À medida que os olheiros são tapados, deve-se observar se ficou algum por onde não houve emissão, o que caracteriza que uma rede de canais não foi atingida, devendo-se, portanto, injetar a fumaça por outro olheiro para que todo o formigueiro seja tratado. Em formigueiro seja tratado. Em formigueiros grandes (mais de 50m²) há a necessidade de se aplicar em até 3 ou 4 olheiros diferentes. Quando todos os olheiros forem tapados, e não se observar mais a emissão de fumaça por mais nenhum lugar, encerra-se a operação após alguns segundos. Diz-se que nesse momento atingiu-se a saturação do formigueiro.
Operações de cultivo e preparo do solo com arados e grades quebram a rede de canais estabelecida nos formigueiros, o que reduz a eficiência da termonebulização. Deve-se esperar pelo menos 30 dias para que as formigas reconstruam os canais, e aí então fazer a aplicação. Em relação à umidade do solo, não há limitação para uso da termonebulização, o que a diferença positivamente em relação a outros métodos de controle.O equipamento aplicador deve estar em boas condições de manutenção e o aplicador deve se proteger com equipamentos de proteção individual, no caso luvas e botas de borracha, máscara, macacão, chapéu e protetor auricular.Deve-se seguir rigorosamente as recomendações do fabricante do inseticida em relação a correta diluição e preparo da calda, utilizando-se produto registrado nos órgãos competentes para uso em termonebulização.Tendo-se em mente estes cuidados, a termonebulização, que apresenta um dos menores custos por formigueiro tratado, também terá um excelente nível de controle.

Fonte :Engº Agrº Neivaldo Tunes Cáceres – Pesquisa e Desenvolvimento – Dow AgroSciences




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